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Iluminação cênica

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19 de Setembro de 2017

Sua influência na arquitetura

Nas residências dos mais abastados, até o final da década de 80, no Brasil, os espaços eram definidos, não apenas fisicamente, mas também pelo mobiliário e suas funções, tais como: sala de música, sala de jogos, sala de jantar, sala de estar etc., e havia uma única luz funcional, no centro do ambiente, que o iluminava como um todo. Hoje, a forma de se projetar uma casa e de utilizá-la mudou. Os espaços passam a ser integrados e possuem diversas funções, o que exige uma luz mais dinâmica, cênica, flexível para gerar a ilusão de ambientes distintos, levando-se em consideração fatores como tempo e espaço, numa mesma área física.

Nos ambientes cada vez menores, a fonte luminosa difusa, focada, direta, indireta, semidireta, tornou-se um agente face à necessidade de iluminar cada específica tarefa, considerando-se os efeitos psicológicos, biológicos e fisiológicos que incidem nas atividades do ser humano. O uso das cores e focos, que penetraram no mundo da iluminação arquitetural, pode ter sua origem na ilumina- ção cênica moderna e contemporânea, mas, em hipótese alguma se deve condicionar ou restringir o conceito de iluminação cênica ao uso de cores e efeitos, mas, antes, deve-se pensar em iluminar uma cena, seja ela qual for, independentemente do uso de cores e do desenho dos fachos.

As cenas antes do advento das lâmpadas elétricas

Algumas publicações veiculam e alguns profissionais conceituam iluminação cênica como “luz de efeito que trabalha com fachos e cores”. Tal visão restrita coloca em risco a atividade de iluminação cênica, que já existia antes do advento das lâmpadas elétricas e eletrônicas de hoje, protagonizando efeitos visuais diversos. Nos tempos de Shakespeare (século XVI), Galileu (século XVII), Mozart (século XVIII) e Darwin (século XIX) já se fazia iluminação cênica sem o uso de cores e fachos. Cito, dentre tantos exemplos, os altares das igrejas iluminados com as fontes de luz disponíveis na época (lâmpadas a óleo, velas de cera de abelha), enriquecendo o simbolismo por meio da criação de cenas.

Na arquitetura gótica (século XII), já se utilizava os recursos da colorização dos espaços, por meio dos vitrais coloridos, que filtravam a iluminação natural e projetavam desenhos na superfície, tal qual se faz hoje em dia por meio dos gobos (go before optics) – recurso utilizado para se conseguir efeito de projeção de imagens ou formas geométricas (TORMANN, p. 122). Naqueles períodos históricos já havia uma preocupação com a linguagem visual: uma comunicação do olhar com o objeto, do espectador com a luz.

Os conceitos

Baseado na teoria da cor, o diretor de Teatro Adolph Appia formulou, em 1954, a teoria de que as cores do cenário devem ser claras (bege, branca, cinza) e o colorido proporcionado pelo uso da luz. Esta teoria pode ser encontrada nos projetos dos lighting designers na arquitetura atual quando nos mobiliários, em geral, de cores claras, formas retas e simples e paredes brancas, são empregados o uso de LEDs e fibra ótica para modificar a experiência sensório-visual de um ambiente.

Em outras palavras, vem se consolidando o conceito de que a luz não precisa estar a serviço, exclusivamente, das áreas arquitetônicas, mas também em razão de cada experiência, cada função, cada cena, evidenciando objetos, móveis, roupas, até mesmo cada quadro posto nas paredes.

Como consequência, as indústrias passaram a produzir projetores de variados tamanhos, úteis às pretensões ornamentais, cujo dimensionamento se adequa a diferentes tarefas e funções como delimitar espaços, enfocar, iluminar, não iluminar, ressaltar ou isolar um discurso, um objeto, uma pessoa, um elemento arquitetônico, uma cena, criar ambientes, dar ritmo a uma representação, delimitar espaço e tempo, e gerar simultaneamente agradáveis alternativas luminosas e aprazíveis resultados cênicos.

Logrou-se obter o máximo de luz com um mínimo de aparelhos em oposição ao passado quando, forçosamente, fruia-se de um mínimo de luz através de um artefato aparatoso. A partir da industrialização mais intensa, nas duas últimas décadas do século XIX, as lâmpadas elétricas passaram a ser produzidas em larga escala, em que um mesmo modelo era multiplicado inúmeras vezes. A variedade do design, então, passa a ocorrer na concepção e produção de luminárias – o artefato que abriga a lâmpada.

Tecnologias

Hoje se opta por uma luminária com design exclusivo para designar um poder aquisitivo, um status social, mas também como símbolo de personalidade criativa (autenticidade). No que tange à iluminação cênica associada à arquitetura, as luminárias tornaram-se coadjuvantes na composição estética e visual de cenas em um dado ambiente, pois o efeito de luz torna-se, visualmente, mais importante do que a fonte luminosa. Tudo isso aliado às inúmeras possibilidades que a automação e/ou os controles de iluminação proporcionam.

No ritmo dessas transformações, os controles de iluminação (controle de abertura e fechamento do facho, controle de cor, de IRC, temperatura de cor, intensidade luminosa, dentre outros) têm sido uma grande ferramenta para os projetos luminotécnicos, trazendo diversos benefícios para as intenções cênicas de um espaço arquitetural. Vêm sendo amplamente utilizados em sistemas comerciais e residenciais.

Há ainda os benefícios de caráter biofísico e econômico, como o aumento do conforto visual, a redução no consumo de energia elétrica, além da já mencionada versatilidade no uso dos ambientes, uma vez que a mudança de cenas de luz atende às diversas atividades de um mesmo espaço.

Hoje, o mercado oferece diversas opções de controle e automação, tanto os dimmers simples como os sistemas elaborados e integrados com outros sistemas de automação. Para sistemas de dimmer simples, existem: Pial, Bticino e Lutron; avançados: Lutron e Crestron. Para sistemas comerciais: Crestron, Philips e Osram. Para iluminação cênica: dimmer HPL e CI Tronic’s, entre outros.

Na evolução dos materiais empregados na arquitetura, para citar os do nosso tempo, como: cimento, vidro, ferro e tijolo, cabe incluir a iluminação como outro elemento autônomo a serviço da composição arquitetural, especialmente suas estratégias renováveis, frutos da relação entre conceitos empregados e recursos tecnológicos.

A iluminação moderna – com possibilidades quase ilimitadas – tornou-se o meio capaz de reunir elementos distintos, integrando aspectos visuais e culturais presentes num espetáculo ou num espaço arquitetônico

Texto Original: Lume Arquitetura